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Las Aguas Amargas del San Juan

La Trilogía del Río y la Memoria

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Trilogia explicada – The Waters of Oblivion (As águas do esquecimento)

Por mais de um século e meio, a Costa Rica narrou sua história nacional com um surpreendente vazio no coração de sua fronteira oriental. Enquanto a memória coletiva reproduzia os feitos de Santa Rosa e a Segunda Batalha de Rivas, o país deixava nas sombras outro episódio decisivo: a Campanha do Trânsito (1856-1857), a única campanha fluvial organizada e vitoriosa da história da América Central, liderada pelo Major Máximo Blanco Rodríguez e a Coluna de Vanguarda, cujos homens subiram o San Juan em condições extremas, capturaram nove navios a vapor e bloquearam a rota interoceânica de William Walker.
Essa operação – por sua precisão logística, domínio territorial e controle da artéria estratégica do continente – alterou o curso da guerra na Nicarágua e fechou a porta para a expansão dos escravos na América Central e no México.

No entanto, esse triunfo extraordinário não foi transformado em um símbolo nacional.
Ele foi silenciado, cortado, deslocado para as margens da história oficial.
E não por descuido.

A trilogia Waters of Oblivion tem origem nesse mistério e o explica passo a passo.


I. A origem: uma vitória apagada

Em As águas amargas do San JuanNo primeiro livro, reconstruí a campanha a partir da lama, da febre e do combate: desde a construção desesperada de balsas e parapeitos improvisados, passando pela captura sucessiva dos navios a vapor, até o isolamento total dos filibusters na Rota de Trânsito.
Este volume recupera, com rigor documental e narrativa histórica, o momento em que Blanco e seus homens conseguiram algo inconcebível: controlar um corredor interoceânico em sangue e lama com apenas duzentos soldados doentes, famintos e sem apoio logístico.

Mas a vitória teve um preço político inesperado.
A ascensão militar e simbólica de Blanco causou desconforto às facções do governo de Mora e aos setores do poder associados aos interesses comerciais de trânsito.A campanha do rio foi primeiramente minimizada, depois omitida e finalmente absorvida por uma narrativa nacional que, a partir do final do século XIX, favoreceu outros símbolos e outros protagonistas. A campanha do rio foi primeiro minimizada, depois omitida e finalmente absorvida por uma narrativa nacional que, a partir do final do século XIX, privilegiou outros símbolos e outros protagonistas.

Esse primeiro silêncio – nascido de um conflito político interno – foi apenas o começo.


II. O mecanismo de esquecimento: uma decisão de estado

O segundo livro, Aguas Silenciadasmostra que essa omissão não foi acidental nem passageira.
Nas décadas seguintes, à medida que a Costa Rica negociava, defendia e reinterpretava seus direitos de limite sobre o San Juan, a memória da campanha do rio tornou-se um fardo político incômodo.

Entre 1858 e 1916, nos vários episódios legais do Tratado de Cañas-Jerez, do Prêmio Cleveland, das disputas sobre navegação, soberania e uso do rio e da disputa pelas margens do rio, a existência de uma campanha militar vitoriosa no território nicaraguense – e particularmente seu sucesso estratégico na rota interoceânica – não foi usada, mencionada ou reivindicada.
Tornou-se um espaço morto no registro histórico do país.

A chegada da Segunda República não quebrou esse vácuo; ela o consolidou.
A nova identidade “cívica e pacífica” do Estado costarriquenho preferia uma história sem cultura militar, sem campanhas vitoriosas, sem comandantes incômodos.
O resultado foi uma desconexão estrutural entre a história real de San Juan e a diplomacia costarriquenha por mais de um século.


III. A fronteira da água: disputas e oportunidades perdidas

Em A fronteira da águaNo terceiro volume, analiso a consequência cumulativa dessa negligência.

As disputas da Ilha Calero, acontrovérsia sobre a navegação, as reivindicações históricas reinterpretadas da Nicarágua e os argumentos apresentados perante a Haia no século XXI mostram que a Costa Rica defendeu sua soberania com recursos parciais, sem integrar a totalidade de sua memória territorial e militar e sem usar um dos elementos mais poderosos de sua posição histórica:
o domínio efetivo do San Juan em 1856-1857.

Ao omitir essa campanha decisiva na construção de sua posição jurídica, a Costa Rica deixou sobre a mesa um conjunto de argumentos históricos que, devidamente utilizados, poderiam ter reforçado sua narrativa soberana durante as arbitragens do século XIX, os litígios do século XX e a advocacia internacional do século XXI.

Por 150 anos, o país tem defendido o rio sem contar sua verdadeira história.


IV. Recuperação: memória, geopolítica e o futuro

A trilogia completa propõe um horizonte mais amplo:
resgata a história não apenas para corrigir o passado, mas também para orientar o futuro.

O mundo atual está passando por um processo acelerado de reconfiguração de rotas marítimas, alianças regionais e projetos interoceânicos impulsionados por novas hegemonias.
Nesse contexto, o Caribe, a América Central e San Juan voltam a ser atores estratégicos.

Para a Costa Rica, atualizar a memória da campanha fluvial, compreender o significado geopolítico do San Juan e reconhecer a figura de Máximo Blanco não é um ato de nostalgia:
é uma ferramenta para participar – com sua própria voz e fundamentos históricos – dos debates sobre infraestrutura, conectividade e corredores do século XXI.


Conclusão

Las Aguas del Olvido é mais do que uma trilogia literária.
É um projeto de reconstrução histórica, uma ferramenta de memória pública e uma tentativa de devolver à Costa Rica um capítulo essencial de sua identidade territorial.

Da epopeia silenciosa da Coluna de Vanguarda às disputas contemporâneas em Haia, passando por tratados, diplomacia e o vácuo narrativo construído ao longo de mais de um século, essa trilogia revela uma linha clara:

Quando um país abre mão de sua memória, ele abre mão de parte de sua soberania.
Quando você a recupera, recupera seu futuro.

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“De la guerra en el río a los litigios que definieron la frontera.”

Sobre el Libro 3 y las oportunidades recuperables

“El futuro del San Juan: soberanía, canales y decisiones geopolíticas pendientes.”

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