Contexto, escopo e relação com a trilogia
O Tratado de Jerez-Molina, assinado em 1896 entre a Costa Rica e a Nicarágua pelos Ministros das Relações Exteriores José Gregorio Jerez (Nicarágua) e Ascensión Esquivel Molina (Costa Rica), constitui um dos documentos diplomáticos fundamentais para a definição prática da fronteira terrestre na zona norte, esclarecendo aspectos que o Tratado de Cañas-Jerez (1858) e o Laudo Arbitral do Presidente Grover Cleveland (1888) haviam deixado em aberto ou insuficientemente especificados.
Sua importância reside no fato de que ele desenvolve, ordena e delimita com base em várias das disposições do Cleveland Award, em particular aquelas relacionadas a:
- a demarcação de marcos de fronteira,
- a interpretação operacional do curso do rio San Juan,
- o uso prático de suas águas,
- a articulação do transporte marítimo da Costa Rica,
- e a relação entre a soberania nicaraguense sobre o rio e os direitos derivados para a Costa Rica.
Ao contrário do Tratado de Cañas-Jerez – fundamental, mas muitas vezes ambíguo – e do Prêmio Cleveland – esclarecedor, mas distante – o Tratado de Jerez-Molina fundamenta as obrigações em um nível administrativo, geográfico e técnico, o que o torna um documento indispensável para a compreensão da fronteira moderna.
Sua relevância na trilogia
No projeto narrativo-histórico de Las Aguas del Olvido, o Tratado de Jerez-Molina funciona como um elo intermediário em uma longa cadeia de decisões diplomáticas em que a ausência – ou omissão voluntária – da Campanha de Trânsito (1856-1857) fica mais uma vez evidente.
Embora em 1896 já tivessem se passado quase quarenta anos desde que a coluna costarriquenha de Máximo Blanco capturara os navios a vapor, bloqueara a rota interoceânica e garantira a soberania costarriquenha de fato no San Juan, o fato é que os costarriquenhos conseguiram proteger o San Juan:
- o tratado não incorpora o precedente militar mais decisivo da região;
- Também não reconhece o controle estratégico da Costa Rica sobre a costa sul durante a guerra;
- tampouco usa a campanha de Blanco como um argumento histórico na negociação territorial.
Essa exclusão – que não é acidental, mas parte de um padrão diplomático – faz parte do que a trilogia chama de “o espaço morto da memória”: um vácuo histórico herdado do século XIX e posteriormente reforçado pela Segunda República, que enfraqueceu a posição da Costa Rica em suas disputas subsequentes.
Assim, o Tratado de Jerez-Molina é fundamental não apenas pelo que diz, mas também pelo que não diz: ele constitui outra evidência de como a história militar de San Juan foi progressivamente separada da história diplomática, criando uma lacuna que ainda condiciona o presente.
Para consultar o documento completo
👉 Faça o download do PDF do Tratado Jerez-Molina (1896)
(Substitua pelo link correspondente quando o arquivo estiver disponível na web).