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Las Aguas Amargas del San Juan

La Trilogía del Río y la Memoria

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Quando um país se esquece de seu rio: história, soberania e as consequências do silêncio.

Posted on dezembro 18, 2025janeiro 1, 2026 by gaguilarq

Por mais de um século e meio, a Costa Rica tem contado sua história nacional como uma sucessão de explorações terrestres, decisões políticas esclarecidas e uma vocação pacífica precoce. No entanto, há uma lacuna incômoda nessa narrativa cuidadosamente construída: a Campanha de Trânsito (1856-1857) e o papel decisivo que o país desempenhou no controle do Rio San Juan, uma das artérias geopolíticas mais importantes da América Central.

Essa lacuna não é anedótica. Ela é estrutural. E suas consequências vão muito além do passado.

Um rio que era uma fronteira, uma arma e uma opçãoortunidad

Em 1856, o rio San Juan não era apenas uma característica geográfica. Ele era um corredor interoceânico estratégico, usado pela Transit Company de Cornelius Vanderbilt para ligar o Atlântico e o Pacífico muito antes da existência do Canal do Panamá. Controlar o San Juan significava controlar o fluxo de pessoas, mercadorias, armas e poder no istmo da América Central.

Quando William Walker e os filibusters tomaram essa rota, a Costa Rica respondeu não apenas em terra, mas – e isso é fundamental – no rio. Sob o comando do Major Máximo Blanco Rodríguez, uma força costarriquenha improvisada, mal equipada e politicamente abandonada executou uma das mais audaciosas campanhas fluviais do século XIX na América Latina: a captura de nove navios a vapor, o bloqueio efetivo da rota interoceânica e o sufocamento logístico do projeto de obstrução.

Sem essa campanha, a guerra contra Walker não teria sido vencida.

No entanto, a campanha desapareceu do centro da narrativa nacional.

O silêncio não foi um acidente

Cada nação escolhe o que quer lembrar. Mas nem todo esquecimento é inocente.

No final do século XIX, a Costa Rica entrou em um processo de reordenação política e simbólica. As elites que herdaram o poder após a queda de Juan Rafael Mora precisavam de uma narrativa estável, menos conflituosa e menos militar, que fosse mais funcional aos seus interesses. Nesse contexto, certas figuras eram incômodas. Era difícil encaixar certas campanhas. Certos protagonistas eram visíveis demais.

O resultado foi um silêncio progressivo, primeiro tácito e depois institucionalizado. Esse silêncio não se limitou ao século XIX. Ele foi adotado, normalizado e reforçado no século XX, especialmente após a criação da Segunda República, quando a Costa Rica consolidou uma identidade internacional baseada na desmilitarização, no pacifismo e na excepcionalidade democrática.

Nessa nova narrativa, a guerra fluvial, o controle armado de um corredor interoceânico e a figura de um comandante militar bem-sucedido não tinham lugar.

História amputada, direita enfraquecida

Aqui surge uma consequência crucial que raramente é discutida.

Por mais de um século, a Costa Rica enfrentou litígios, tratados, sentenças arbitrais e julgamentos internacionais relacionados ao Rio San Juan e à fronteira com a Nicarágua: o Tratado Cañas-Jerez, o Prêmio Cleveland, a Convenção Alexander, os julgamentos da Corte Internacional de Justiça em 2009 e 2015.

Em todos esses processos, o país defendeu direitos legais válidos. Mas o fez sem integrar totalmente sua própria experiência histórica no rio, sem afirmar claramente que tem sido um ator soberano, militar e logístico nesse espaço desde o século XIX.

O resultado foi uma defesa legalmente correta, mas historicamente incompleta.

Quando um Estado renuncia à sua própria memória estratégica, ele negocia a partir de uma posição enfraquecida. Não porque perde direitos formais, mas porque perde narrativa, contexto e peso político.

Do passado para o futuro: por que esse debate é importante hoje?

Hoje, o mundo está mais uma vez olhando para a América Central com interesse estratégico. Novos atores globais – China, Estados Unidos, consórcios internacionais – estão estudando rotas logísticas, corredores interoceânicos, infraestruturas portuárias e projetos que remodelarão o comércio global.

Nesse cenário, o rio San Juan é mais uma vez relevante.

Mas um país que não integrou totalmente sua história a esse rio corre o risco de se tornar um espectador das decisões de outras pessoas, em vez de um interlocutor informado.

Recuperar a memória da Campanha de Trânsito não é um exercício de nostalgia. É um ato de responsabilidade histórica. Significa entender que a soberania não é apenas uma linha em um mapa ou uma decisão judicial, mas também a consciência do que foi perdido, do que foi perdido e do que ainda pode ser recuperado.

Uma trilogia para reconstruir o que foi fragmentado

The Bitter Waters of the San Juan inicia esse processo a partir da narrativa histórica: reconstruindo a campanha, dando um rosto e uma voz àqueles que foram apagados e mostrando como o rio foi o cenário de uma das decisões mais audaciosas do país.

Silenced Waters abordará o segundo nível: como e por que esse episódio foi apagado da narrativa nacional e como esse esquecimento condicionou a política externa, a legislação e a memória coletiva.

Um terceiro volume analisará o futuro: as disputas, as oportunidades perdidas e as possibilidades futuras de um país que finalmente decidiu se reconciliar com toda a sua história.

Porque nenhum país pode defender bem seu futuro se não tiver entendido completamente seu passado.

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Las Aguas Amargas del San Juan

“La memoria rescatada de una guerra fluvial que Costa Rica olvidó.”

Captura de los vapores, a los tratados fronterizos

“De la guerra en el río a los litigios que definieron la frontera.”

Sobre el Libro 3 y las oportunidades recuperables

“El futuro del San Juan: soberanía, canales y decisiones geopolíticas pendientes.”

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