Introdução e contexto
A sentença da Corte Internacional de Justiça (CIJ) de 16 de dezembro de 2015 resolveu uma das disputas mais significativas da história diplomática recente entre a Costa Rica e a Nicarágua: a disputa pela soberania da Ilha Portillos – também conhecida como Ilha Calero no imaginário costarriquenho – e os danos ambientais causados no território costarriquenho pelas obras nicaraguenses no chamado canal artificial.
Essa decisão se tornou um marco para o direito internacional na região, mas sua verdadeira relevância não pode ser compreendida sem a revisão do longo caminho histórico que leva da Campanha de Trânsito (1856-1857) aos tratados, prêmios e disputas modernos. A CIJ não julga o passado militar, mas aplica os critérios, as delimitações e os precedentes que nasceram – ou deveriam ter nascido – desses eventos.
A Costa Rica chegou a essa disputa com uma bagagem histórica incompleta:
um vácuo narrativo herdado do silenciamento da Campanha de Trânsito e da figura do Major Máximo Blanco Rodríguez. Esse vácuo, repetido na educação, na diplomacia e na política, deixou de fora um componente essencial: a demonstração do controle efetivo, o uso histórico do território e o controle logístico de San Juan durante 1856-1857.
Esse silêncio teve consequências.
Por que esse documento é fundamental para a trilogia Waters of Oblivion
Na trilogia – TheBitter Waters of the San Juan, Silenced Waters e The Water Frontier –esse caso ocupa um lugar central porque representa:
1. A culminação legal de um século e meio de disputas.
A decisão de 2015 é o ponto final em uma cadeia que inclui:
- o Tratado de Cañas-Jerez (1858),
- o Prêmio Cleveland (1888),
- a Convenção de Alexander (1897),
- o Tratado de Jerez-Molina (1896),
- e uma sucessão de interpretações, mal-entendidos, erros diplomáticos e omissões.
2. O espelho no qual se observa a fragilidade da narrativa nacional.
A Costa Rica defendeu um território com solvência legal, mas sem a força simbólica de sua história completa. A memória militar de 1856-1857 – incluindo a presença efetiva em Sarapiqui, San Carlos e nas margens do rio San Juan – nunca foi integrada à sua diplomacia moderna.
A decisão reconhece a soberania da Costa Rica, mas também mostra como o país chegou ao tribunal sem uma narrativa histórica consolidada para sustentar seus argumentos.
3. A ponte para o terceiro livro da trilogia.
The Water Frontier analisará como a Costa Rica, apesar dos triunfos militares e jurídicos, perdeu oportunidades estratégicas por não manter uma continuidade narrativa entre história, direito e geopolítica.
O caso de Isla Portillos demonstra que o futuro do rio San Juan não depende apenas de tratados, mas da reconstrução da memória apagada e da entrada no século XXI com uma visão clara:
quem controla a narrativa controla o rio.
Conteúdo do documento
O documento inclui:
- Os argumentos apresentados pela Costa Rica e pela Nicarágua.
- A delimitação final estabelecida pela CIJ.
- Reconhecimento dos danos ambientais causados pela Nicarágua e a correspondente reparação.
- Análise da soberania da Ilha de Portillos.
- Interpretação contemporânea do Tratado de Cañas-Jerez mais de 150 anos após sua assinatura.
Relevância para pesquisadores, leitores e estudantes
Essa decisão é indispensável para você:
- Entender o estado atual da fronteira,
- ligando o direito internacional moderno à história militar do século XIX,
- observar como um país negocia o território quando perdeu parte de sua memória histórica,
- e avaliar a importância de San Juan na geopolítica contemporânea.
O documento é apresentado aqui como parte de um arquivo vivo que acompanhará a evolução da trilogia.
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👉 [Acesso ao PDF da Sentença da Corte Internacional de Justiça – 2015]
(link ou botão a ser inserido quando o arquivo estiver disponível)