Esse tratado tentou estabelecer coordenadas claras sobre a soberania marítima no Pacífico e no Caribe, incorporando definições de ilhas, arquipélagos e espaços marinhos estratégicos. No entanto, sua negociação ocorreu em um contexto em que a Costa Rica já tinha uma omissão fundamental em sua própria narrativa territorial:
a ausência da Campanha do Trânsito (1856-1857) e o papel do Major Máximo Blanco Rodríguez como fator geopolítico determinante na defesa da fronteira do rio San Juan.
Durante o século XIX, a região passou por um acelerado rearranjo diplomático, em que os tratados de limites dependiam tanto de argumentos legais quanto da força da narrativa histórica que cada nação poderia demonstrar. A Costa Rica, tendo neutralizado militarmente os obuses no San Juan e capturado os vapores que controlavam a rota interoceânica, tinha uma base histórica excepcional para consolidar sua posição soberana. Mas esse capital – militar, estratégico e moral – foi silenciado na narrativa nacional.
Quando a Costa Rica negociou o tratado de 1914 com o Panamá, o fez sem recorrer a esse fundamento histórico, adotando uma postura moderada e técnica que se desvinculava da tradição de defesa territorial construída pela Coluna de Vanguarda um século antes. Nesse vácuo narrativo – também alimentado durante a Segunda República – a Costa Rica consolidou tratados nos quais a memória estratégica do San Juan não desempenhou o papel que poderia ter desempenhado legalmente.
Para a trilogia The Waters of Oblivion, o Tratado de 1914 mostra uma constante histórica:
As decisões territoriais da Costa Rica são desenvolvidas sem integrar totalmente a dimensão fluvial, militar e geopolítica da Campanha de Trânsito, criando um déficit argumentativo que reaparece posteriormente em outras disputas, como as resolvidas pela Corte Internacional de Justiça em Haia no século XXI.
Em suma, o tratado de 1914 é um ponto-chave para a compreensão do esvaziamento progressivo da memória estratégica da Costa Rica, um processo que esta trilogia se propõe a recuperar, documentar e reinterpretar.
→ Faça o download do PDF do Tratado sobre Limites de Água e Ilhas (1914)
(Insira o botão ou o link aqui)